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Por favor..Cativa-me!

“O Pequeno Príncipe”
(trecho)

E foi então que apareceu a raposa:
– Bom dia, disse a raposa.

– Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.

– Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira…

– Quem és tu? perguntou o principezinho.
Tu és bem bonita.

– Sou uma raposa, disse a raposa.

– Vem brincar comigo, propôs o príncipe, estou tão triste…

– Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.
Não me cativaram ainda.

– Ah! Desculpa, disse o principezinho.

Após uma reflexão, acrescentou:
– O que quer dizer cativar ?

– Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?

– Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?

– É uma coisa muito esquecida, disse a raposa.

Significa criar laços…

– Criar laços?

– Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.E eu não tenho necessidade de ti.E tu não tens necessidade de mim.

Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo…Lembre-se, tu não deves esquecer: Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.

Antoine de Saint-Exupéry

Raquel

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Eu, Por Cecília Meireles

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Noções

Entre mim e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos.

Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge.

Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.

Virei-me sobre a minha própria experiência, e contemplei-a.
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza.

Ó meu Deus, isto é minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera…

Cecília Meireles

Raquel

Viagem ao novo, in a sweet road

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Entro no carro, abro as janelas e ligo o som. Algumas músicas combinam bem com uma boa viagem. Escolhida a trilha sonora, Eddie Vedder, a qual sempre me provoca sentimentos únicos. O carro se move e as árvores o acompanham. Meus cabelos longos e negros balançam conforme a sintonia do vento que entra pela janela. Uma porção de paisagens belas surgem, árvores altas, flores secas, céu de algodão doce e um sol iluminando tudo isso. Uma viagem solitária sem destino, onde a beleza é o meu guia, estou só, porém preenchida de sentimentos gostosos.  Confesso que uma companhia cairia bem, mas prossigo minha viagem com os olhos  no infinito. Avisto um lago pequeno na beira da estrada e estaciono logo ali, sob a sombra de uma mangueira cheia de frutos suculentos. Passeio por aquele pedacinho de natureza, intacta e perfeita. O sol nas minhas costas me guia durante o caminho, até voltar ao lugar de origem. Entro no carro com a imagem daquela especial caminhada. Sigo minha viagem e procuro outro cantinho sem muitas influências humanas. Após algum tempo, vejo e sinto o cheiro doce de uma chuva de flores brancas e delicadas vindo em minha direção. Paro novamente na beira da estrada, saio do carro, e abro os braços para me inebriar com as flores roçando nas partes do meu corpo e infiltrando seus aromas em minha memória. Sinto que minha missão naquele dia foi cumprida, procuro o próximo retorno e volto para casa. Viagens desconhecidas a lugares novos são sempre bem vindas. Quero me encantar mais vezes, verificar por mim mesma as belezas dessa Terra e suas surpresas ocultas. Quero  saborear sons, cheiros, livros, arte, natureza e principalemte pessoas. Quero ver e viver o novo, e de novo e de novo!


Raquel

Caminhos

As escolhas

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Olho em minha volta vários caminhos a seguir. Na maioria deles vejo apenas a porta de entrada, e às vezes uma janelinha pequena sem muita visibilidade. Em alguns saem debaixo da porta uma luz muito intensa e um cheirinho de flores do campo. Esses eu tenho a impressão de que serão estradas cheias de surpresas boas. Porém, por mais que eu tente prever o que eu encontrarei em cada um deles ainda não sei em qual entrar. Dúvidas permanecem. Mas o que mais me conforta é saber que sempre há uma nova chance para  recomeçar, entrar em um novo caminho, em um mundo de infinitas possibilidades.

Raquel

Vincente

Tim Burton em seu  primeiro trabalho em stop-motion.  Detalhe na história elaborada em rimas e narrada pelo próprio Vincent Prince.

 

 

Raquel

Surpresas no Araguaia

Em Aruanã encontrei diversas surpresas, natureza, pessoas, arte, sentimentos, liberdade, saudades… Esse texto foi garimpado em uma exposição de fotos do rio Araguaia, e fiquei completamente encantada, assim copiei uma parte do mesmo no caderninho de viagem.

“A lua desenhou-se calma, nesse encontro melancólico que tem sempre esse astro da noite em nossas solidões, despertando no coração vagas saudades e incertas esperanças de um futuro ideal, que nunca realizaremos na Terra e que é, talvez, uma aspiração da nossa alma para a imortalidade.“

Viagem ao rio Araguaia (1863), Couto de Magalhães

Raquel

Viver não dói

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Por diversas vezes sonhamos alto e perdemos o controle dessas fantasias. Acabamos vivendo as incertas projeções e idealizações. Colocar os pés no chão é dolorido, porém essencial. Como aliviar a dor do que não foi vivido? Carlos Drummond de Andrade tem essa resposta.

“Viver não dói”

(Carlos Drummond de Andrade)

Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade. Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar. Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!!! A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

Raquel