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Quanto mais simplicidade, melhor o nascer do dia!

É essa simplicidade que eu quero pra mim!

Simplicidade – Pato Fu

Vai diminuindo a cidade
Vai aumentando a simpatia
Quanto menor a casinha
Mais sincero o bom dia

Mais mole a cama em que durmo
Mais duro o chão que eu piso
Tem água limpa na pia
Tem dente a mais no sorriso

Busquei felicidade
Encontrei foi Maria
Ela, pinga e farinha
E eu sentindo alegria

Café tá quente no fogo
Barriga não tá vazia
Quanto mais simplicidade
Melhor o nascer do dia

 

.


Toda cura pra todo mal…

 

Raquel

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Viagem ao centro de mim

Eu fitava meu reflexo em um espelho grande e redondo, do meu tamanho, com o propósito de sentir a composição química e estrutural do meu ser. Meus olhos negros acompanhavam a minha pele morena clara e tentavam adentrar nas camadas subseqüentes do tecido epitelial. Buscava viajar pelos órgãos, sangue, células e organelas. Minha visão estava ansiosa para tatear tudo aquilo que vivia aqui dentro. Porém, ao invés de radiografar meu mundo invisível a mim, começou a vasculhar, sem nenhum pretexto, algumas partes obscuras e externas do meu corpo. Na pele elástica e lisa, surgiram resquícios de penas, outra parte feita de escamas e meu organismo tentava esconder o que estava tão claro. Meus olhos nervosos iam de minuto a minuto achando diferentes formas, vindas de outros seres que, até então, não faziam parte desse ser. Encostava nas diferentes texturas com minhas mãos trêmulas e a cada toque brotavam mais e mais desenhos da natureza. Uma enchente de lágrimas escorreu dos meus olhos, uma chuva regando meu próprio território. Sorri suavemente, mesmo sem conseguir entender, a princípio, o que ocorria e meu cérebro borbulhava idéias e possíveis respostas. Mas só no outro dia, depois de voltar ao meu estado normal, fui compreender que o exposto foi só o que eu queria ver.

 

(Sou composta quimicamente, estruturalmente e sentimentalmente, na totalidade, por matéria e energia de todos os elementos bióticos e abióticos existentes, simplesmente.)

 

Raquel

Luzes e sombras sobre mim

Adormeci com o luar como uma manta fina e delicada sobre meu corpo, uma segunda pele, prata e perfumada. Mal podia esperar o amanhecer e ser coberta novamente com outras cores, agora pelo sol. O dia aparece e a luz chega a princípio aos meus pés enrolados um no outro e sobe deixando minha pele dourada e incandescente. O brilho quente escorrega deslizante, sem pressa e acompanho com meus olhos o seu percurso. Fico ali deitada na minha cama macia a esperar ser tomada, na totalidade, pelo nascer do sol. De repente, os infinitos pontos de raios solares chegam e apontam por todos meus ângulos, curvas, formas, dobras, pêlos e poros. O calor me abraçou forte, e sua energia infiltrou no meu corpo, a partir da minha pele sonolenta. Meus olhos entreabertos se abrem, e vejo o céu com suas cores refletidas no meu ser. Sinto-me parte necessária do universo, uma peça chave e que se encaixa perfeitamente em todas as outras. Levanto-me e me curvo perante tudo o qual minha janela estava a moldurar. Faço uma prece silenciosa e com pés descalços começo um dia que tem tudo para ser bonito como o meu amanhecer.

 

Raquel

Um começo

Às vezes eu me vejo rindo de mim mesma, das minhas contradições e inseguranças. Eu só comecei a perceber o quão confusa era a partir dos meus escritos postados nesse blog. Em intervalos curtos de tempo vou de um extremo ao outro, com pensamentos e estados de espírito controversos. Paro e penso, isso é natural? É normal da natureza humana essas inconstâncias não confortáveis? Não sei responder a esse questionamento, pois já tenho dificuldade de entender eu mesma e o que se passa nessa minha mente cheia, que transborda idéias, sonhos, ilusões, desejos, dúvidas e mais questionamentos. Pelo menos, coragem de expor todos meus vícios estou tendo. Quero neutralizá-los, e começarei com o vício de pensamentos corrosivos. Quem já teve pensamentos feios, sobre si mesmo e sobre as outras pessoas? São doloridos e exaustivos, nos deixam cansados mentalmente e fisicamente, sugam nossas energias e nos levam, muitas vezes, a um estado emocional delicado. Assim, meu primeiro passo, em busca do meu encontro com Deus é dosar meus pensamentos, deixar entrar apenas poucas coisas e limpar, jogar fora, todos aquelas idéias destrutivas. Eu, apesar de agora tentar deixá-los de lado, perdôo a mim mesma por tê-los durante algumas boas horas da minha vida. Sei que não me tornarei santa, já que sou humana em todos os sentidos, mas quero me purificar, controlar minha mente e meu corpo. Vamos ao primeiro passo então, sempre que surgir algo indesejável pronunciarei silenciosamente: “Esse pensamento não vai entrar na minha mente, não, não, não…”.

Update: Em um dia tentando algumas milhões de vezes controlar minha mente vi que não é só uma etapa, ou um começo, e sim um exercício frequente, que irá me acompanhar em todos os dias da minha vida. Vida longa a ele! 😉

 

Raquel

The Sound of Silence (Simon & Garfunkel)

O Som do Silêncio


Olá escuridão, minha velha amiga

Eu vim para conversar contigo novamente

Por causa de uma visão que se aproxima suavemente

Deixou suas sementes enquanto eu estava dormindo

E a visão que foi plantada em meu cérebro

Ainda permanece

Entre o som do silêncio

Em sonhos agitados eu caminho só

Em ruas estreitas de paralelepípedos

Sob a auréola de uma lamparina de rua

Virei meu colarinho para proteger do frio e umidade

Quando meus olhos foram apunhalados pelo lampejo de uma luz de néon

Que rachou a noite

E tocou o som do silêncio

E na luz nua eu vi

Dez mil pessoas talvez mais

Pessoas conversando sem falar

Pessoas ouvindo sem escutar

Pessoas escrevendo canções que vozes jamais compartilharam

Ninguém ousou

Perturbar o som do silêncio

“Tolos,” eu disse, “vocês não sabem”

O silêncio como um câncer que cresce

Ouçam minhas palavras que eu posso lhes ensinar

Tomem meus braços que eu posso lhes estender”

Mas minhas palavras

Como silenciosas gotas de chuva caíram

E ecoaram no poço do silêncio

E as pessoas curvaram-se e rezaram

Ao Deus de néon que elas criaram

E um sinal faiscou o seu aviso

Nas palavras que estavam se formando

E o sinal disse, “As palavras dos profetas estão escritas nas paredes do metrô

E corredores de habitações”

E sussurraram no som do silêncio

Raquel

Você já viu um filhote de porco-espinho?

Não é a criaturinha mais linda?

 

Raquel

Meu primeiro paragrafo

Poucos sabem, mas estou escrevendo um romance. Alice é uma menina-mulher de 23 anos. Ela vive em um mundinho particular ao lado do seu gato em um apartamento customizado por sentimentos. Intensa e verdadeira, ela percorre suas lembranças, memórias, cotidianos e sonhos a procura de alguém melhor. Sofre e da a volta por cima. Sofre e recomeça. Real, como todos nós. Carente, e não explícita, ela é uma incógnita para quase todos (os poucos) que a rodeiam. E assim começa o livro:

“O sabor forte e denso da bebida fez com que eu estremecesse e fechasse ligeiramente os olhos. Intensa, não hesitei em tomar mais umas doses. O líquido descia desatando todos os nós na minha garganta e minhas papilas gustativas se manifestavam cada vez menos. Um sorriso suave no meu canto esquerdo da boca dizia pra todo mundo o bem instantâneo que aquilo estava me fazendo. Todas minhas emoções anestesiadas e soltas de mim. Eu ficava olhando aqueles pedaços de sentimentos e tentava, mesmo que sem êxito, decifrá-los. Um tempo passou, e eu, em uma espécie de transe saio com as sandálias nas mãos em direção ao carro lá fora. As minhas condições para dirigir eram mínimas, e apenas entrei e deitei no banco de trás. Bem encolhidinha, e um pouco fora de mim, sussurrei palavras doces, e fiz uma espécie de cafuné nos meus próprios cabelos. Adormeci. “

Raquel