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Eu, Paul e a lua.

Meu relato do dia 21/11/2010. Show do Paul McCartney no Morumbi.

A espera:

Ao pisar em solos paulistas senti um clima irresistível. O aeroporto estava tomado por gente de todas as idades e crédulos, mas com algo em comum, os Beatles. Camisetas, tatuagens, cortes de cabelo e bagagens com referências aos garotos de Liverpool. Compartilhei meus sorrisos com todos os meus cúmplices, companheiros de Beatlemania, que iriam presenciar um espetáculo tão sonhado. Tudo parecia surreal e a ficha caia devagarzinho.

Enquanto estávamos a caminho do estádio, um filme passou em minha cabeça. Lembrei-me de todos os momentos em que as músicas dos Beatles estiveram presentes em minha vida. Por um momento me senti na década de 60, uma mocinha histérica de vestido rodado. Desejei ser ela por um momento e ver os Fab 4 cantar ao vivo. Voltando a minha realidade, o mais próximo que eu poderia chegar era ir a um show do Paul ou Ringo, ou os dois juntos. Emocionei-me ao me encontrar exatamente nessa situação, estava prestes a ver e ouvir o Sir. Paul cantar suas músicas para mim. Chorei baixinho, com poucas lágrimas, meio escondida, olhando a paisagem da metrópole.

A chegada tão esperada ao Morumbi foi incrível, uma multidão de Beatlemaníacos nos esperava. Filas enormes em caracóis, e aquele mesmo clima maravilhoso de cumplicidade. Todos ali com o mesmo propósito, mesmo sonho, mesma ansiedade e inquietação. Foi difícil encontrar o final da fila, e à medida que íamos andando em volta ao estádio mais encontrávamos pessoas emocionadas, deslumbradas, excitadas e sorridentes. Últimos da fila por um milésimo de segundo: estávamos a postos e prontos. Conheci pessoas adoráveis nesse momento. Não posso esquecer-me do casal divertido, com seus 30 e poucos anos, de Curitiba e pai e filho fanáticos de BH.

A fila andou, e todos vibraram. As horas dessa espera, por mais agradáveis que eram as companhias, estavam nos matando. Quatro horas para o início do espetáculo.

Quando entramos no estádio soltei gritos de alegria e corri para encontrar o lugar perfeito. Achado! Agora restou-nos uma nova espera, ainda mais agonizante. O tempo definitivamente não passava, cheguei a cogitar a hipótese de o relógio ter parado.

As horas se passaram, se arrastando. 9:30 da noite, e ansiedade tomou conta. Pulava incontrolavelmente, e estralava todas as juntas e ossos estraláveis do meu corpo.

Paul estava prestes a aparecer.

O show:

Antes de ouvir seu baixo em “Venus and Mars”, olhei para trás e vi milhares de cabecinhas, um batalhão de almas fascinadas por Bealtes. Pensei um pouco no poder que a maior banda de todos os tempos teve/tem/terá na vida das pessoas. Quantos apaixonados não ouviram “Love me do”, ou “All we need is Love”, e pensaram instantaneamente no amado/a. Quantas pessoas se emocionaram com Strawberry Fields forever” ou com a letra deslumbrante de “Tomorrow never knows”. E ainda, qual o número de jornadas transformadas ou que tiveram a trajetória desviada a partir de uma canção dos garotos de Liverpool. Não pude contabilizar essas minhas estatísticas, pois um Beatle entrou no palco nesse exato momento.

As luzes se acenderam e todos se exaltaram, gritamos em coro: We Love you, yeah, yeah, yeah. O show começou! Depois de “Venus and Mars”, veio “Jet”, onde abrimos a garganta como um alívio depois da grande espera: JET uuuuuuh! A primeira canção dos Bealtes foi “All My Loving”, onde a minha ficha caiu por completo, me emocionei pela primeira vez e dancei como nunca, lavando a alma, liberando aflições e mágoas de toda a minha vida. Vieram depois “Letting Go”, “Drive My Car”, “Highway” e “Let Me Roll It”. Até ai, já tinham aflorado diversos sentimentos únicos em mim. Olhei para o Paul e enxerguei alguém íntimo, que sabia de todos os meus segredos.

Paul foi ao seu piano e começou a linda e chorosa “The Long And Winding Road”. Um homem com seus 25 anos de idade a minha frente olha para o amigo, o abraça e diz entre lágrimas: “Cara, eu nunca chorei tanto na minha vida”. O Morumbi já estava dominado, 64 mil almas em festa. “Nineteen Hundred and Eighty Five”, “Let ‘Em In”, “My Love” (Essa música eu escrevi para minha gatinha Linda, mas hoje vai para todos os namorados, disse ele em um português louvável), “I’ve Just Seen A Face”, “And I Love Her” vieram logo em seguida. Paul tentava comunicar em português conosco, até dizer: “Esta noite eu vou falar português. Mas vou falar mais inglês.” Sempre bem humorado e carinhoso com o público.

A música que me marcou profundamente foi a próxima e dessa vez não me contive. Em “Blackbird” chorei igual uma criança, soluçava e tentava cantar junto com ele, mas a voz estava travada. Nessa hora recebi um abraço de uma recém conhecida do Rio, talvez foi a música que mais me emocionou. O choro continuou com a homenagem ao John em “Here Today”, aquela frase: “And If I say, I really loved you and was glad you came along” é de deixar qualquer um derretido.

Para enxugar um pouco as lágrimas do público Paul começou a baladinha gostosa em “Dance Tonight”. E sim Paul, “Everybody gonna feel alright tonight”. Depois veio a linda “Mrs Vandebilt”. Sir. Paul voltou a mexer com o estoque de lágrimas em “Eleanor Rigby” e posteriormente, no segundo momento mais emocionante para mim, em “Something”. Ver as fotos de George jovem, saudável no telão ao som de uma das músicas mais belas, cantada agora por Paul… tem que ter o coração forte. Com a frase “Beautiful man, beautiful soul” ele termina uma homenagem linda. Com lágrimas e um sorriso maravilhado meu corpo inundou uma explosão de sentidos, me senti no céu.

“Sing The Changes”, “Band on the Run”, “Ob-La-Di, Ob-La-Da”, “Back In The USSR”, “I’ve Got A Feeling”, “Paperback Writer” vieram depois para extravasar meu corpo e espírito. Uma montanha russa de emoções.

“A Day In The Life / Give Peace A Chance” foi um momento especial. Todos começaram a soprar seus balões brancos. Erguidos, vestindo um Morumbi lotado. Ele diz: “Yeah, All we are saying is give Peace a chance, with white balloons, you are beautiful, you are something else”. Foi sublime.

“Let It Be” veio para deixar todos os corações ainda mais apaixonados. Depois “Live And Let Die” cheia de fogos e efeitos, muito especial.
“Hey Jude” tremeu todo o estádio. Todos sincronizados: na nananana Heey Jude, fantástico!

Paul apresentou a “minha banda fantástica” para todos nós e depois deu um tchauzinho. Não demorou muito e todos em coro diziam:  I dont know why you say goodbye, I say hello. O Sir. Paul voltou logo após as aclamações com “Day Tripper”, “Lady Madonna” e “Get Back”.

Mais um tchauzinho. Mas já sabíamos que ele iria voltar, claro. Trouxe para nós mais um momento de emoção com “Yesterday”, todos em minha volta derramaram lágrimas.

Ele estremeceu todos, ainda, com “Helter Skelter” e finalizou minha experiência mais incrível de vida com “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” e “The End”. Ele se despediu fechando os olhos e fazendo uma onomatopéia de sono e com um ronco, “roooonc”.

Pronto, acabou-se o que era doce.

Depois:

Fomos embora, e ai que sentimos as dores no corpo. A mochila estava pesada e os pés não cabiam mais nos tênis. Na volta conhecemos um moço de Honduras, sim Honduras.

Chegamos ao aeroporto por volta das 2 horas da manhã. Eu estava anestesiada, e não conseguia pensar em muitas coisas. Deitei no chão do aeroporto, com minha mochila como travesseiro e tentei dormir, um pouco em vão. O que era realidade e sonho se misturaram em minha mente, estava confusa.

Esperamos, aéreos, o vôo de volta. Antes do embarque chorei muito. A depressão pós Paul tinha chegado em mim.

Foi tudo tão perfeito. Melhor dia, sem dúvida, de toda a minha jovem existência. Ficou marcado em mim, nos meus filhos (que ainda nem existem) e estará registrado para o sempre. Obrigada, mais uma vez, meu Deus.

 

Raquel

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The Sound of Silence (Simon & Garfunkel)

O Som do Silêncio


Olá escuridão, minha velha amiga

Eu vim para conversar contigo novamente

Por causa de uma visão que se aproxima suavemente

Deixou suas sementes enquanto eu estava dormindo

E a visão que foi plantada em meu cérebro

Ainda permanece

Entre o som do silêncio

Em sonhos agitados eu caminho só

Em ruas estreitas de paralelepípedos

Sob a auréola de uma lamparina de rua

Virei meu colarinho para proteger do frio e umidade

Quando meus olhos foram apunhalados pelo lampejo de uma luz de néon

Que rachou a noite

E tocou o som do silêncio

E na luz nua eu vi

Dez mil pessoas talvez mais

Pessoas conversando sem falar

Pessoas ouvindo sem escutar

Pessoas escrevendo canções que vozes jamais compartilharam

Ninguém ousou

Perturbar o som do silêncio

“Tolos,” eu disse, “vocês não sabem”

O silêncio como um câncer que cresce

Ouçam minhas palavras que eu posso lhes ensinar

Tomem meus braços que eu posso lhes estender”

Mas minhas palavras

Como silenciosas gotas de chuva caíram

E ecoaram no poço do silêncio

E as pessoas curvaram-se e rezaram

Ao Deus de néon que elas criaram

E um sinal faiscou o seu aviso

Nas palavras que estavam se formando

E o sinal disse, “As palavras dos profetas estão escritas nas paredes do metrô

E corredores de habitações”

E sussurraram no som do silêncio

Raquel

De repente, tudo muda.

Mudou, muda e mudará! Espírito-corpo-emoção, unidos na simplicidade de uma manhã com orvalhos cheirosos na grama verde.

Um trecho:

O corpo gosta de sentir-se confortável, de sentir prazer, gosta do contato, da interação dos corpos, sentir os cheiros, os sabores. Sem ansiedade, sem pressão, sem angústia. Somente a entrega, o deixar-se sentir, o ser.

Nuno Cobra

Uma música:

Raquel

Um pouco de Beatles

Meu amor pelos Beatles foi crescendo devagarzinho, desde pequena os escuto, e confesso que há apenas 5, 6 anos parei e vi que aquilo não era música qualquer. Era o tipo de música que falava lá no fundo, que refletia muito das minhas dúvidas, alegrias, desejos e amor. As canções dos Fab Four falavam pra alma, e decidi naquele momento, que suas músicas faziam parte de mim. Posso não ser uma fã da mais descabeladas, não saber todas as canções de cor, esquecer o nome daquele disco, mas garanto, pra mim mesma, que eu os amo, e suas músicas me preencheram e preenchem meus vazios e contradições, complementam minhas alegrias e me instigam suspiros de amor (mesmo que esse amor não tenha, ainda, chegado).

Agora, encontrarei de pertinho um Bealte (se tudo der certo, dedos cruzados!). Paul McCartney, o Sir. Paul,  cantará suas músicas pra mim. Com uma alegria sem tamanho, e cheia de energias positivas deixo a música que fez com que eu repensasse e enxergasse o que é Beatles de fato.

Blackbird

 

 

Raquel

Caixinha de Músicas – Novos Baianos

É uma música que reflete muito meu estado de espírito atual. E assim sigo meu caminho. Gostosa de ouvir e de sentir:

Novos Baianos – Mistério do Planeta

Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso,
Jogando meu corpo no mundo,
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto
E passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas,
Passado, presente,
Participo sendo o mistério do planeta
O tríplice mistério do “stop”
Que eu passo por e sendo ele
No que fica em cada um,
No que sigo o meu caminho
E no ar que fez e assistiu
Abra um parênteses, não esqueça
Que independente disso
Eu não passo de um malandro,
De um moleque do Brasil
Que peço e dou esmolas,
Mas ando e penso sempre com mais de um,
Por isso ninguém vê minha sacola.


Raquel

Essa beleza musical

Algumas músicas entranham de uma forma estranha na gente, e foi a partir desse sentimento que surgiu esse texto. Queria colocar uma de minhas músicas nesse post, mas acho que cada um tem a sua música, aquela que lhe provoca os sentimentos únicos. Peço para que você, antes de ler qualquer coisa, ouça a canção que lhe faz flutuar. Só assim você irá compreender os meus devaneios musicais.

Ao som de algumas músicas meu sangue incita vibrações de uma ternura infinita. Inspiro um ar de compaixão e as ondas da sintonia caminham até meu corpo e eriçam todos os meus pelos. A minha carne se desfalece a partir do arrepio profundo, enraizado em cada nota musical.  Sinto-me fora de eixo, e uma loucura instantânea prevalece em mim. Cada palavra verbalizada em canto dilata minha pupila e deixam meus olhos ausentes no presente. Sou levada por aquelas ondas a cena da canção. Cada pedaço, cor e luz daquele lugar têm um pouco de mim. Sou parte da música e sem perceber sopro alguns acordes puros e singelos. Estou cercada por bolhas semelhantes às de sabão, que são na verdade a materialização dos sentimentos que sinto. Amor, ternura, carinho, paz em cada bolha percorrendo o céu sem pressa e predominando sobre cada espaço. Elas se misturam com todas as notas musicais, e simulam uma orquestra perfeitamente afinada e bela. Toco uma nuvem e volto ao meu estado anterior, sentada em uma poltrona no meu quarto, com as cortinas semi-abertas, um primoroso som musical ao fundo e a face voltada a algumas bolhas de sabão que vejo lá fora.

Raquel

I want Something…

Raquel