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Livros de ter: Meu Pé de Laranja Lima

 

Zezé é um menino de 5 anos, que apesar da pouca idade tem pensamentos de gente grande. Traquina como ninguém, apanha proporcionalmente e, muitas vezes, exageradamente as suas artes. Ele vive entre a fantasia, a realidade dura de uma família pobre e os hematomas do cinto de duas fivelas de seu pai. Extremamente sensível, Zezé encontra a dor, não só as externas, mas as que atingem o peito, muito cedo. Precoce, como os vizinhos e o padeiro da rua de cima o classificam, o menino pequeno dos cabelos dourados é o personagem mais complexo, singelo e intenso de todos os livros que já li. Sim, ele é um meninote tão incrível que daria tudo para ter a oportunidade de encontrar alguma criança que se parecesse, pelo menos um pouco, com ele. Essa é a história da obra prima de José Mauro de Vasconcelos,  que teve uma inspiração autobiográfica para escrever esse doce e terno livro. Zezé vira o José Mauro mais tarde, mas ele continuou sensível, ao ponto de expor sua história de uma maneira brilhante, regional e chorosa, que me marcou profundamente. Se todos mantivessem o espírito da infância, provavelmente o mundo se encheria de mais amor. Termino com uma frase de Zezé, que me faz pensar muito:

‎”Matar não é só pegar o revólver de Buck Jones e fazer bummmmmmm. A gente mata com o coração. Vai deixando de querer bem e, um dia, a pessoa morreu…”

Que em 2011 nós não maltratemos os outros, nem sejamos maltratados. Morrer e matar, não são atos felizes.

Feliz 2011 para todos nós!

 

P.S.: O filme  de 1970 (ainda não o vi) está disponível para download aqui.

Update: Assisti o filme. É bonitinho, mas o livro, como sempre, foi uma experiência bem mais intensa e completa.

 

Raquel

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Meu primeiro paragrafo

Poucos sabem, mas estou escrevendo um romance. Alice é uma menina-mulher de 23 anos. Ela vive em um mundinho particular ao lado do seu gato em um apartamento customizado por sentimentos. Intensa e verdadeira, ela percorre suas lembranças, memórias, cotidianos e sonhos a procura de alguém melhor. Sofre e da a volta por cima. Sofre e recomeça. Real, como todos nós. Carente, e não explícita, ela é uma incógnita para quase todos (os poucos) que a rodeiam. E assim começa o livro:

“O sabor forte e denso da bebida fez com que eu estremecesse e fechasse ligeiramente os olhos. Intensa, não hesitei em tomar mais umas doses. O líquido descia desatando todos os nós na minha garganta e minhas papilas gustativas se manifestavam cada vez menos. Um sorriso suave no meu canto esquerdo da boca dizia pra todo mundo o bem instantâneo que aquilo estava me fazendo. Todas minhas emoções anestesiadas e soltas de mim. Eu ficava olhando aqueles pedaços de sentimentos e tentava, mesmo que sem êxito, decifrá-los. Um tempo passou, e eu, em uma espécie de transe saio com as sandálias nas mãos em direção ao carro lá fora. As minhas condições para dirigir eram mínimas, e apenas entrei e deitei no banco de trás. Bem encolhidinha, e um pouco fora de mim, sussurrei palavras doces, e fiz uma espécie de cafuné nos meus próprios cabelos. Adormeci. “

Raquel

Os Vagabundos Iluminados – Jack Kerouac

É com prazer que começo a escrever sobre livros que leio aqui. Inicio com o mais recente, Os Vagabundos Iluminados de Jack Kerouac.

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Feche os olhos, tudo não passa de um vazio. Você insiste em ter e esquece de ser. O que verdadeiramente importa?  O que você tem a acrescentar nesse mundo? Quem é você, os outros e tudo que você vê? Só sei que são nas pequenas coisas, sinceras atitudes, doces gentilezas, flores perfumadas e céus estrelados que encontramos o verdadeiro sentido da vida. Com o livro Vagabundos Iluminados, de Jack Kerouac, podemos desfrutar dessas  surpresas terrenas e com muito sabor indagar sobre tudo que é importante ou deveria ser.  Com uma escrita simples, entramos a fundo na história da melhor forma possível: viajando com o personagem. Percorremos a América do Norte de carona, ônibus e a pé, com botas resistentes, mochila pesada nas costas e sonhos na cabeça.  Com ensinamentos budistas interessantes,  e  singelo como o um pássaro no céu, o livro nos convida a divagar sobre o eu, o próximo e todas as coisas.  Acabamos, assim como o personagem, a procurar entender um pouco da verdade das coisas e a viver verdadeiramente livre. E é lindo demais o encantamento dele pela natureza e pelas pequeninas coisas. Não tem como não evoluir um pouquinho só de ler e se dissolver nessa história de luz. E é Iluminado mesmo o adjetivo que sintetiza tudo.

Raquel