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The Sound of Silence (Simon & Garfunkel)

O Som do Silêncio


Olá escuridão, minha velha amiga

Eu vim para conversar contigo novamente

Por causa de uma visão que se aproxima suavemente

Deixou suas sementes enquanto eu estava dormindo

E a visão que foi plantada em meu cérebro

Ainda permanece

Entre o som do silêncio

Em sonhos agitados eu caminho só

Em ruas estreitas de paralelepípedos

Sob a auréola de uma lamparina de rua

Virei meu colarinho para proteger do frio e umidade

Quando meus olhos foram apunhalados pelo lampejo de uma luz de néon

Que rachou a noite

E tocou o som do silêncio

E na luz nua eu vi

Dez mil pessoas talvez mais

Pessoas conversando sem falar

Pessoas ouvindo sem escutar

Pessoas escrevendo canções que vozes jamais compartilharam

Ninguém ousou

Perturbar o som do silêncio

“Tolos,” eu disse, “vocês não sabem”

O silêncio como um câncer que cresce

Ouçam minhas palavras que eu posso lhes ensinar

Tomem meus braços que eu posso lhes estender”

Mas minhas palavras

Como silenciosas gotas de chuva caíram

E ecoaram no poço do silêncio

E as pessoas curvaram-se e rezaram

Ao Deus de néon que elas criaram

E um sinal faiscou o seu aviso

Nas palavras que estavam se formando

E o sinal disse, “As palavras dos profetas estão escritas nas paredes do metrô

E corredores de habitações”

E sussurraram no som do silêncio

Raquel

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Ser e amar

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Acho que nunca amei de verdade, mas depois de tudo que eu sonhei, vivi, senti…, entendi que o que eu mais quero é que  tudo ocorra devagarzinho, com desprendimento, para que cada passo ocorra na hora certa e no meu tempo certo. Não quero me corroer em anseios exacerbados ou carências desmedidas, quero apenas me entorpecer de simplicidade e ternura.

Deixo um trecho do livro “A Insustentável Leveza do Ser” de Milan Kundera:

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“É um amor desinteressado. (…) Nem mesmo amor ela exige. Nunca precisou fazer as perguntas que atormentam os casais humanos: será que ele me ama? Será que gosta mais de mim do que eu dele? Terá gostado de alguém mais do que de mim? Todas essas perguntas que interrogam o amor, o avaliam, o investigam, o examinam, será que não ameaçam destruí-lo no próprio embrião? Se somos incapazes de amar, talvez seja porque desejamos ser amados, quer dizer, queremos alguma coisa do outro (o amor), em vez de chegar a ele sem reivindicações, desejando apenas sua simples presença.”

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Raquel

Por favor..Cativa-me!

“O Pequeno Príncipe”
(trecho)

E foi então que apareceu a raposa:
– Bom dia, disse a raposa.

– Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.

– Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira…

– Quem és tu? perguntou o principezinho.
Tu és bem bonita.

– Sou uma raposa, disse a raposa.

– Vem brincar comigo, propôs o príncipe, estou tão triste…

– Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.
Não me cativaram ainda.

– Ah! Desculpa, disse o principezinho.

Após uma reflexão, acrescentou:
– O que quer dizer cativar ?

– Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?

– Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?

– É uma coisa muito esquecida, disse a raposa.

Significa criar laços…

– Criar laços?

– Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.E eu não tenho necessidade de ti.E tu não tens necessidade de mim.

Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo…Lembre-se, tu não deves esquecer: Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.

Antoine de Saint-Exupéry

Raquel

Vincente

Tim Burton em seu  primeiro trabalho em stop-motion.  Detalhe na história elaborada em rimas e narrada pelo próprio Vincent Prince.

 

 

Raquel

Pôr-do-sol especial

Pôr-do-sol no rio Araguaia

pôr-do-sol


Estou sentada em um banquinho de praça, não é uma praça comum, ela está às margens do rio Araguaia. Foi um dia cansativo, e minhas costas pedem uma boa noite de sono. O pôr-do-sol está prestes a chegar, e enquanto fico a sua espera aparece um senhor que começa uma conversa comigo, ao meu lado.

– Sabe, todo os dias o pôr-do-sol por essas bandas é bonito. Já morei em alguns outros lugares e te garanto minha filha, o daqui é um dos mais belos.

Um sorriso abre em minha face, e sou presenteada com outro na face do senhor. A agradável companhia continua:

– O pôr-do-sol mais belo é quando existem algumas nuvens ao redor do sol, formando uma verdadeira composição artística, digna de um quadro famoso. É uma pena que hoje o céu está limpo.

O senhor levanta-se e chega o mais próximo possível ao muro de proteção, o mais próximo do pôr-do-sol, que neste momento se inicia. Observo extasiada aquele céu, as cores se misturando e tudo refletido nas águas do Araguaia, um verdadeiro quadro em uma exposição impressionista. O senhor entra na minha composição artística, ele está localizado no canto esquerdo da tela, seus cotovelos estão sobre o muro e seus cabelos brancos se remexem com o barulho do vento.

Após o fim da exposição aquele homem volta ao meu encontro e seus olhos brilham como as águas que percorrem aquele rio, ele senta ao meu lado e ouço um suave suspiro emocionado. Aquela situação, o momento, a natureza e o senhor encheram meu peito de um sentimento puro, uma mistura de paz, amor, carinho, esperança, e alegria.

O senhor se despede, e eu me levanto para abraçá-lo. Com os olhos marejados agradeço pela companhia e digo meu nome. Ele sai devagar e continuo no banquinho, a contemplar o rio e o surgimento da noite. Minha alma está novinha em folha e ela mascara minhas dores no corpo, já nem preciso daquela noite de sono e permaneço naquela praça, vivendo plenamente e me diluindo na natureza, céu, rio e universo.

Raquel

Charlie Brown

Charlie Brown e a solidão

peanuts

Adorável Charlie Brown e seu primeiro aparecimento por aqui, seus poucos anos  de sensibilidade, inteligência, melancolia, filosofia e ingenuidade.

Raquel