Archive for dezembro \31\UTC 2010

Livros de ter: Meu Pé de Laranja Lima

 

Zezé é um menino de 5 anos, que apesar da pouca idade tem pensamentos de gente grande. Traquina como ninguém, apanha proporcionalmente e, muitas vezes, exageradamente as suas artes. Ele vive entre a fantasia, a realidade dura de uma família pobre e os hematomas do cinto de duas fivelas de seu pai. Extremamente sensível, Zezé encontra a dor, não só as externas, mas as que atingem o peito, muito cedo. Precoce, como os vizinhos e o padeiro da rua de cima o classificam, o menino pequeno dos cabelos dourados é o personagem mais complexo, singelo e intenso de todos os livros que já li. Sim, ele é um meninote tão incrível que daria tudo para ter a oportunidade de encontrar alguma criança que se parecesse, pelo menos um pouco, com ele. Essa é a história da obra prima de José Mauro de Vasconcelos,  que teve uma inspiração autobiográfica para escrever esse doce e terno livro. Zezé vira o José Mauro mais tarde, mas ele continuou sensível, ao ponto de expor sua história de uma maneira brilhante, regional e chorosa, que me marcou profundamente. Se todos mantivessem o espírito da infância, provavelmente o mundo se encheria de mais amor. Termino com uma frase de Zezé, que me faz pensar muito:

‎”Matar não é só pegar o revólver de Buck Jones e fazer bummmmmmm. A gente mata com o coração. Vai deixando de querer bem e, um dia, a pessoa morreu…”

Que em 2011 nós não maltratemos os outros, nem sejamos maltratados. Morrer e matar, não são atos felizes.

Feliz 2011 para todos nós!

 

P.S.: O filme  de 1970 (ainda não o vi) está disponível para download aqui.

Update: Assisti o filme. É bonitinho, mas o livro, como sempre, foi uma experiência bem mais intensa e completa.

 

Raquel

Luzes e sombras sobre mim

Adormeci com o luar como uma manta fina e delicada sobre meu corpo, uma segunda pele, prata e perfumada. Mal podia esperar o amanhecer e ser coberta novamente com outras cores, agora pelo sol. O dia aparece e a luz chega a princípio aos meus pés enrolados um no outro e sobe deixando minha pele dourada e incandescente. O brilho quente escorrega deslizante, sem pressa e acompanho com meus olhos o seu percurso. Fico ali deitada na minha cama macia a esperar ser tomada, na totalidade, pelo nascer do sol. De repente, os infinitos pontos de raios solares chegam e apontam por todos meus ângulos, curvas, formas, dobras, pêlos e poros. O calor me abraçou forte, e sua energia infiltrou no meu corpo, a partir da minha pele sonolenta. Meus olhos entreabertos se abrem, e vejo o céu com suas cores refletidas no meu ser. Sinto-me parte necessária do universo, uma peça chave e que se encaixa perfeitamente em todas as outras. Levanto-me e me curvo perante tudo o qual minha janela estava a moldurar. Faço uma prece silenciosa e com pés descalços começo um dia que tem tudo para ser bonito como o meu amanhecer.

 

Raquel

Um começo

Às vezes eu me vejo rindo de mim mesma, das minhas contradições e inseguranças. Eu só comecei a perceber o quão confusa era a partir dos meus escritos postados nesse blog. Em intervalos curtos de tempo vou de um extremo ao outro, com pensamentos e estados de espírito controversos. Paro e penso, isso é natural? É normal da natureza humana essas inconstâncias não confortáveis? Não sei responder a esse questionamento, pois já tenho dificuldade de entender eu mesma e o que se passa nessa minha mente cheia, que transborda idéias, sonhos, ilusões, desejos, dúvidas e mais questionamentos. Pelo menos, coragem de expor todos meus vícios estou tendo. Quero neutralizá-los, e começarei com o vício de pensamentos corrosivos. Quem já teve pensamentos feios, sobre si mesmo e sobre as outras pessoas? São doloridos e exaustivos, nos deixam cansados mentalmente e fisicamente, sugam nossas energias e nos levam, muitas vezes, a um estado emocional delicado. Assim, meu primeiro passo, em busca do meu encontro com Deus é dosar meus pensamentos, deixar entrar apenas poucas coisas e limpar, jogar fora, todos aquelas idéias destrutivas. Eu, apesar de agora tentar deixá-los de lado, perdôo a mim mesma por tê-los durante algumas boas horas da minha vida. Sei que não me tornarei santa, já que sou humana em todos os sentidos, mas quero me purificar, controlar minha mente e meu corpo. Vamos ao primeiro passo então, sempre que surgir algo indesejável pronunciarei silenciosamente: “Esse pensamento não vai entrar na minha mente, não, não, não…”.

Update: Em um dia tentando algumas milhões de vezes controlar minha mente vi que não é só uma etapa, ou um começo, e sim um exercício frequente, que irá me acompanhar em todos os dias da minha vida. Vida longa a ele! 😉

 

Raquel

Deus dentro de mim

Eu nunca procurei tanto uma consciência de mim como agora. Para isso, estou aos poucos estudando e me inserindo no mundo da fé. Quero muito encontrar com Deus e me refugiar nos seus ensinamentos e nessa paz entorpecedora. Sou contra qualquer tipo de fanatismo e também não tenho uma religião específica para seguir.  Tudo que eu quero é Deus. Deus dentro de mim. Cansei do meu ceticismo e egoísmo, da minha constante confusão mental, das dúvidas, ansiedades e incertezas. Para esse encontro com Deus, estou me infiltrando na meditação e na Yoga, e talvez, também, na escalada. Quero águas plácidas dentro de mim para assim poder me enxergar reluzente nas poucas ondas de um rio. Quero misturar meu sangue e vibrações com o canto do universo. Não quero mais debater comigo mesma, cheia de perguntas e ilusões. Quero a verdade, pura e terna. Só a verdade.

Namastê!

Um beijo, e coloquem minha vida em suas preces.

 

Raquel