Archive for setembro \25\UTC 2010

Meu primeiro paragrafo

Poucos sabem, mas estou escrevendo um romance. Alice é uma menina-mulher de 23 anos. Ela vive em um mundinho particular ao lado do seu gato em um apartamento customizado por sentimentos. Intensa e verdadeira, ela percorre suas lembranças, memórias, cotidianos e sonhos a procura de alguém melhor. Sofre e da a volta por cima. Sofre e recomeça. Real, como todos nós. Carente, e não explícita, ela é uma incógnita para quase todos (os poucos) que a rodeiam. E assim começa o livro:

“O sabor forte e denso da bebida fez com que eu estremecesse e fechasse ligeiramente os olhos. Intensa, não hesitei em tomar mais umas doses. O líquido descia desatando todos os nós na minha garganta e minhas papilas gustativas se manifestavam cada vez menos. Um sorriso suave no meu canto esquerdo da boca dizia pra todo mundo o bem instantâneo que aquilo estava me fazendo. Todas minhas emoções anestesiadas e soltas de mim. Eu ficava olhando aqueles pedaços de sentimentos e tentava, mesmo que sem êxito, decifrá-los. Um tempo passou, e eu, em uma espécie de transe saio com as sandálias nas mãos em direção ao carro lá fora. As minhas condições para dirigir eram mínimas, e apenas entrei e deitei no banco de trás. Bem encolhidinha, e um pouco fora de mim, sussurrei palavras doces, e fiz uma espécie de cafuné nos meus próprios cabelos. Adormeci. “

Raquel

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Filmes de ter – Harold and Maude (1971)

Normalmente um filme nos atrai primeiramente pelo roteiro ou talvez pelo diretor bem sucedido ou atores famosos. Harold and Maude ou Ensina-me a Viver (1971) me instigou pela trilha sonora. A trilha primorosa do mestre Cat Stevens me deixou um tanto curiosa, e me fiz uma pergunta inquietante: Qual história estaria por trás dos acordes singelos e das letras delicadas desse meu cantor preferido? Eu sabia que ao som de Cat Stevens tudo é bonito, e só corroborei minha certeza com esse belíssimo filme. Com a música Don`t Be Shy, adentramos a história de Harold, um jovem tímido, solitário, triste e obcecado pela morte. Tudo em sua vida não tinha mais sentido até conhecer Maude, uma senhora interessante, alegre, corajosa, e que vive a vida intensamente. Maude o ensina os segredos da felicidade, carinho e amor. Um encontro incomum, mas intenso e encantador. O filme é divertido, romântico e verdadeiro. Gostoso de ouvir e sentir, todos meus sentidos foram aguçados…Belo, Belo… A única coisa que me restou após me inebriar com esse filme foi ouvir Cat Stevens e relembrar os conselhos generosos de Maude.

Deixo a tradução de uma música importante pra mim, e que é cantada por Maude em um certo momento: If You want to sing out, sing out.

Se você quer cantar, cante.

Bem, se você quer cantar, cante

E se você quer ser livre, seja

Porque existem muitas coisas pra ser

Você sabe que sim

E se você quer viver pra cima, viva

E se você quer viver pra baixo, viva

Poque existem muitos caminhos pra ir

Você sabe que sim

Você pode fazer o que quer

A oportunidade está aí

E você pode encontrar um novo caminhos

Pode fazer isso hoje

Fazer com que tudo seja verdadeiro

Fazer com que seja desfeito

Você vê ah ah ah

É fácil ah ah ah

Você só tem que querer

Bem, se você quer dizer sim, diga

E se você quer dizer não, diga

Porque existem muitos caminhos pra ir

Você sabe que sim

E se você quer ser eu, seja

E se você quer ser você, seja

Porque existem muitas coisas pra se fazer

Você sabe que sim

Bem, se você quer cantar, cante

E se você quer ser livre, seja

Porque existem muitas coisas pra ser

Você sabe que sim

Você sabe que sim

Você sabe que sim

Você sabe que sim

Raquel

Poemas de madrecita

SONHO

Um dia encontrar o lugar certo para viver.
Meu castelo construído tijolo a tijolo, meu abrigo;
Céu azul, sol brilhante, árvores cabeludas, aves flutuantes.
Existência harmonizada com serena graça e prazer.

Riso frouxo, braços firmes em abraços apertados.
Passos largos ao encontro de quem vier ao meu remanso
Sussurrar palavras doces sem pretexto, como eu gosto;
Gentilezas sempre expostas simplifica, sem destroços.

Calmas tardes na varanda, brisa amena a soprar.
Noites quietas enlevadas pelo brilho do luar.
Suavidade comovente onde rege o coração!

Manhã fresca fascinada do que a noite inspirou;
Flores lindas enternecidas com o orvalho que ficou.
É o meu sonho esse dia e não mera ilusão!

Zandra Reis ou Mãezinha

Raquel

simplesmente saia e faça

Ao som de Eddie Vedder – Rise

“Gostaria de repetir o conselho que lhe dei antes: você deveria promover uma mudança radical em seu estilo de vida e fazer corajosamente coisas em que talvez nunca tenha pensado, ou que fosse hesitante demais para tentar.

Tanta gente vive em circunstâncias infelizes e, contudo, não toma a iniciativa de mudar sua situação porque está condicionada a uma vida de segurança, conformismo e conservadorismo, tudo isso parece dar paz de espírito, mas na realidade nada é mais maléfico para o espírito do homem que um futuro seguro.

A coisa mais essencial do espírito vivo de um homem é sua paixão pela aventura. A alegria da vida vem de nossos encontros com novas experiências […]

Você está errado se acha que a alegria emana somente ou principalmente das relações humanas. Deus a distribuiu em toda a nossa volta. Está em tudo ou em qualquer coisa que possamos experimentar. Só temos de ter a coragem de dar as costas para nosso estilo de vida habitual e nos comprometer com um modo de vida não-convencional.

O que quero dizer é que você não precisa de mim ou de qualquer outra pessoa para pôr esse novo tipo de luz em sua vida. Ele está simplesmente esperando que você o pegue e tudo que tem a fazer é estender os braços. A única pessoa com quem você está lutando é com você mesmo […]

Espero que na próxima vez que eu o encontrar você seja um homem novo, com uma grande quantidade de novas experiências na bagagem. Não hesite nem se permita dar desculpas. Simplesmente saia e faça. Simplesmente saia e faça. Você ficará muito, muito contente por ter feito.”

Chris McCandless, em carta enviada a Ron Franz.

Raquel