Pela primeira vez assumo minha identidade externa nesse blog, já que muito daqui de dentro já está por aqui. A contemplar um céu doce de uma manhã refrescante, deitada na grama cheirosa, e sensibilizada com tanta beleza e surpresas ocultas da nossa mãe natureza.

O céu em uma noite qualquer

Deitada na grama alta, pernas cruzadas e olhos ao céu. As estrelas cantam pra mim e o brilho delas está direcionado a minha direção.  Sinto-me em foco, num palco, sendo homenageada por uma platéia de desconhecidos interessantes e cheios de sorrisos meigos. Noite fresca e fria de semblante materno, me conforta, me envaidece, me acolhe. Contemplo o luar, que aparece depois que uma nuvem o escondia. Meus sentidos hesitados se fazem presentes constantes em todos aqueles momentos de apogeu. Imperfeita e incoerente e torta que sou, me endireito em harmonia com o todo, cheia de prazer e serenidade. As estrelas continuam sem descanso a sussurrar palavras doces sem pretexto, do jeitinho que eu gosto. Parece mesmo que aquele céu de singeleza me conhece melhor que qualquer um. Nada mais poderia me acontecer diante de tanta beleza e carinho a não ser chorar um pouquinho. Inspirada, emocionada, preenchida de simplicidades açucaradas e deliciosas, não sinto forças suficientes pra levantar-me dali, mesmo com um frio dolorido em meus ossos. Noite fria que me aquece, me incendeia, me humaniza, me faz sentir parte da natureza, assim mesmo como deve ser.  A lua me olha lindamente, mesmo sem estar cheia, aparece toda pequenina e forte. Queria ser lua por um tempo, e contemplar um pouco a Terra sob os olhos dela também. Adormeço sem querer, e nos meus sonhos o desejo de ser céu acontece, e vejo daqui de cima uma moça de cabelos negros compridos esparramados pelo chão de grama seca. Menina toda incompleta, inconstante, errada e intensa, mas cheia de harmonia interna, simples que só ela, com desejos sinceros de ser céu um dia.

Raquel

Anúncios