Archive for agosto \29\UTC 2010

Caixinha de Músicas – Novos Baianos

É uma música que reflete muito meu estado de espírito atual. E assim sigo meu caminho. Gostosa de ouvir e de sentir:

Novos Baianos – Mistério do Planeta

Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso,
Jogando meu corpo no mundo,
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto
E passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas,
Passado, presente,
Participo sendo o mistério do planeta
O tríplice mistério do “stop”
Que eu passo por e sendo ele
No que fica em cada um,
No que sigo o meu caminho
E no ar que fez e assistiu
Abra um parênteses, não esqueça
Que independente disso
Eu não passo de um malandro,
De um moleque do Brasil
Que peço e dou esmolas,
Mas ando e penso sempre com mais de um,
Por isso ninguém vê minha sacola.


Raquel

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Desiguais?

Estavam sentados a última mesa do restaurante. Murmuravam desconectos, e a conversa custava entrar na linha. Ele a olhava nos olhos, e tentava enxergar aquilo que ele sempre sonhou. As mãos de ambos suavam, e ela estava entretida com o balançar da cortina na janela azul. Sem saber direito o que falar, ele diz:

-Eu quero encontrar alguém especial.

Ela, sem pestanejar, responde delicadamente:

-Eu não. Quero encontrar alguém comum.


Raquel

Revelações fotográficas

Pelas ruas de pedra da bela Pirenópolis aconchegos cotidianos não passam despercebidos. Para saborear com os olhos…

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No muro da esquina, eis que surge o amor:

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Ver a vida passar:

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Belezura de cores:

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Com romantismo:

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Raquel

Os Vagabundos Iluminados – Jack Kerouac

É com prazer que começo a escrever sobre livros que leio aqui. Inicio com o mais recente, Os Vagabundos Iluminados de Jack Kerouac.

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Feche os olhos, tudo não passa de um vazio. Você insiste em ter e esquece de ser. O que verdadeiramente importa?  O que você tem a acrescentar nesse mundo? Quem é você, os outros e tudo que você vê? Só sei que são nas pequenas coisas, sinceras atitudes, doces gentilezas, flores perfumadas e céus estrelados que encontramos o verdadeiro sentido da vida. Com o livro Vagabundos Iluminados, de Jack Kerouac, podemos desfrutar dessas  surpresas terrenas e com muito sabor indagar sobre tudo que é importante ou deveria ser.  Com uma escrita simples, entramos a fundo na história da melhor forma possível: viajando com o personagem. Percorremos a América do Norte de carona, ônibus e a pé, com botas resistentes, mochila pesada nas costas e sonhos na cabeça.  Com ensinamentos budistas interessantes,  e  singelo como o um pássaro no céu, o livro nos convida a divagar sobre o eu, o próximo e todas as coisas.  Acabamos, assim como o personagem, a procurar entender um pouco da verdade das coisas e a viver verdadeiramente livre. E é lindo demais o encantamento dele pela natureza e pelas pequeninas coisas. Não tem como não evoluir um pouquinho só de ler e se dissolver nessa história de luz. E é Iluminado mesmo o adjetivo que sintetiza tudo.

Raquel

Você ilumina meu mundo

Para minha avó:

As mãos enrugadas e delicadas me acariciam cheias de carinho. Você percorre seus dedos bonitos nos meus cabelos e o cafuné gostoso me faz sonhar alto. Os olhos claros e iluminados de vida me consolam e me acalmam da melhor forma. Seus cabelos grisalhos e curtos estão arrumados e pousam com beleza sobre sua cabecinha. Você é linda demais. Seu beijo macio na minha face me deixa radiante e sua voz baixinha é de encantar qualquer um. Toda forte no corpo magro e frágil, mulher de verdade.  Feita de pétalas de rosa, você enche o mundo com amor. Mãezinha número dois, meu exemplo de vida e de ternura. O tempo te fez de açúcar, e mais doce que você não há. Uma borboleta chega sem aviso e pousa no seu ombro esquerdo. Você a olha e ela ganha um sorriso lindo cheio de verdade. Assim a borboleta não vai embora, minha menina. Eu te amo muito e ao seu lado sou mais feliz. Quero beijos, abraços, carinhos, olhares e cafunés desmedidos. Sua presença ilumina meu mundo!

Raquel

Poemas de madrecita

Minha mãezinha agora tem um espaço aqui. Lindamente poética e doce, me deixa cheia de orgulho.


RARA PAZ

Canto sereno do roçar os troncos,
Bambuzal em harmonia com minha essência;
Pacatos laguinhos em diversos pontos,
Momentos de purificação, sem eloqüência.

É onde encontro a paz sempre buscada,
Meditando, contemplando a natureza.
Ainda que a realidade não seja a sonhada,
Aflora o saber ante a singeleza.

Folhas tremulando ao vento,
Pássaros a cantar libertos,
Lugar onde careço assento.

O mundo a esquecer-se do eu,
Relega os sublimes concertos
Desses mini universos em apogeu.

Zandra Reis


Raquel

Contemplar o céu faz bem

Pela primeira vez assumo minha identidade externa nesse blog, já que muito daqui de dentro já está por aqui. A contemplar um céu doce de uma manhã refrescante, deitada na grama cheirosa, e sensibilizada com tanta beleza e surpresas ocultas da nossa mãe natureza.

O céu em uma noite qualquer

Deitada na grama alta, pernas cruzadas e olhos ao céu. As estrelas cantam pra mim e o brilho delas está direcionado a minha direção.  Sinto-me em foco, num palco, sendo homenageada por uma platéia de desconhecidos interessantes e cheios de sorrisos meigos. Noite fresca e fria de semblante materno, me conforta, me envaidece, me acolhe. Contemplo o luar, que aparece depois que uma nuvem o escondia. Meus sentidos hesitados se fazem presentes constantes em todos aqueles momentos de apogeu. Imperfeita e incoerente e torta que sou, me endireito em harmonia com o todo, cheia de prazer e serenidade. As estrelas continuam sem descanso a sussurrar palavras doces sem pretexto, do jeitinho que eu gosto. Parece mesmo que aquele céu de singeleza me conhece melhor que qualquer um. Nada mais poderia me acontecer diante de tanta beleza e carinho a não ser chorar um pouquinho. Inspirada, emocionada, preenchida de simplicidades açucaradas e deliciosas, não sinto forças suficientes pra levantar-me dali, mesmo com um frio dolorido em meus ossos. Noite fria que me aquece, me incendeia, me humaniza, me faz sentir parte da natureza, assim mesmo como deve ser.  A lua me olha lindamente, mesmo sem estar cheia, aparece toda pequenina e forte. Queria ser lua por um tempo, e contemplar um pouco a Terra sob os olhos dela também. Adormeço sem querer, e nos meus sonhos o desejo de ser céu acontece, e vejo daqui de cima uma moça de cabelos negros compridos esparramados pelo chão de grama seca. Menina toda incompleta, inconstante, errada e intensa, mas cheia de harmonia interna, simples que só ela, com desejos sinceros de ser céu um dia.

Raquel