Archive for maio \23\UTC 2010

Corro, simplesmente.

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Corria com o meu maior fervor. Ouvia nitidamente as batidas do meu coração e meu fôlego se exaurir. Porém, apesar do cansaço as passadas ganhavam velocidade, e meus cabelos presos balançavam freneticamente como um êmbolo de um relógio antigo, nas suas 12 e longínquas badaladas.  Não sabia verdadeiramente o lugar para o qual meus pés me guiavam, nem mesmo em qual direção eu estava indo.


Naquela tarde, o que mais me satisfazia era correr. Tudo deixado para trás, e cada vez mais distante de mim. Uma força interna alimentava minha energia, e eu não conseguia e muito menos queria parar por ali. Minha visão estava cega e todas as possíveis belezas daquele caminho se transformavam em nuvens feitas de passado e imagens da minha vida. Elas traziam para meu lado justamente aquilo que me impulsionava a fugir e que eu queria mais me distanciar.  Mais um daqueles paradoxos que chegam sem permissão em nossas vidas.


Meus pés estavam anestesiados, sentia-os vagamente. E em minha boca levemente entreaberta entrava um ar límpido, o qual supria minha sede de liberdade. Eu tinha a esperança de que quando eu chegar ao meu lugar, aquelas nuvens se desbotariam e tudo ao meu redor ganharia cor e brilho novamente.


Assim corri, como eu corri, substancialmente, como eu nunca havia corrido. Fugi, simplesmente. Fugi de todos menos de mim. Depois de muito cheguei ao lugar tão esperado e inesperado. Não posso dizer que tudo não valeu apena, pois nunca me senti tão livre antes. Porém aquelas nuvens ainda me acompanham e sei que elas estarão inevitavelmente aqui para sempre. Pois elas são parte de mim, e como eu já havia constatado, é impossível fugir de si mesmo.


Raquel

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Hoje eu acordei com uma vontade danada de…

Passear no parque e observar as crianças correrem atrás das borboletas;

Ouvir uma piada sem graça;

Andar descalça sob o chão de terra vermelha;

Beber água de coco;

Sentir um tipo de medo que trás um frio gostoso na barriga;

Conversar com plantas;

Sorrir a um desconhecido.

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E o que eu fiz dessas vontades que citei?

Todas, a vontade era danada que deu pra fazer tudo, um dia depois! =)

Raquel