Archive for julho \29\UTC 2009

Consciência de Mim

Algumas vezes é difícil transformar o que eu sinto em palavras faladas e é por isso que venho escrevendo a cada dia mais, utilizando a escrita como ferramenta de descoberta. Uma forma de entender o que move minha alma, compreender meus sonhos, alegrias, frustrações e ações.  Ainda assim é complicado entrar e aprofundar em mim mesma, talvez ainda exista algum receio de achar aquelas coisas que guardei a sete chaves e que inconscientemente (ou conscientemente?) sempre as empurro pra longe de mim. Eu posso dizer que quando começo a encontrar a Raquel e a entendê-la um frio na barriga aparece e meu coração bate forte, porém continuo insistindo nessa descoberta, por mais dolorida que seja. Em algumas situações aparecem surpresas agradáveis, e um alivio grande toma conta do meu ser. Muitas vezes nas andanças pelo espelho de minha alma descubro que aquilo que eu guardei em sete chaves não era bem um monstro e que conviver com essas lembranças é algo um tanto… simples! Assim, com tantos encontros com o passado e reflexões do presente, vejo-me hoje em uma fase de mudança, em que me amo mais, e a considero um amadurecimento. Com uma palavra sintetizo o que ocorre entre as palavras escritas: consciência, consciência de mim.

Raquel

Pôr-do-sol especial

Pôr-do-sol no rio Araguaia

pôr-do-sol


Estou sentada em um banquinho de praça, não é uma praça comum, ela está às margens do rio Araguaia. Foi um dia cansativo, e minhas costas pedem uma boa noite de sono. O pôr-do-sol está prestes a chegar, e enquanto fico a sua espera aparece um senhor que começa uma conversa comigo, ao meu lado.

– Sabe, todo os dias o pôr-do-sol por essas bandas é bonito. Já morei em alguns outros lugares e te garanto minha filha, o daqui é um dos mais belos.

Um sorriso abre em minha face, e sou presenteada com outro na face do senhor. A agradável companhia continua:

– O pôr-do-sol mais belo é quando existem algumas nuvens ao redor do sol, formando uma verdadeira composição artística, digna de um quadro famoso. É uma pena que hoje o céu está limpo.

O senhor levanta-se e chega o mais próximo possível ao muro de proteção, o mais próximo do pôr-do-sol, que neste momento se inicia. Observo extasiada aquele céu, as cores se misturando e tudo refletido nas águas do Araguaia, um verdadeiro quadro em uma exposição impressionista. O senhor entra na minha composição artística, ele está localizado no canto esquerdo da tela, seus cotovelos estão sobre o muro e seus cabelos brancos se remexem com o barulho do vento.

Após o fim da exposição aquele homem volta ao meu encontro e seus olhos brilham como as águas que percorrem aquele rio, ele senta ao meu lado e ouço um suave suspiro emocionado. Aquela situação, o momento, a natureza e o senhor encheram meu peito de um sentimento puro, uma mistura de paz, amor, carinho, esperança, e alegria.

O senhor se despede, e eu me levanto para abraçá-lo. Com os olhos marejados agradeço pela companhia e digo meu nome. Ele sai devagar e continuo no banquinho, a contemplar o rio e o surgimento da noite. Minha alma está novinha em folha e ela mascara minhas dores no corpo, já nem preciso daquela noite de sono e permaneço naquela praça, vivendo plenamente e me diluindo na natureza, céu, rio e universo.

Raquel

Amanhecer e Pôr-do-sol

Muitas vezes titubeamos ao falar de um sentimento nobre, o amor.   Aquela frase “ Eu te amo“ é tão simples e pura, que não convém explicações. Basta amar. Mas falar de amor não é tão fácil assim. Viver o  amor é lidar com as diferenças nas escalas de sentimento do casal, é entender os extremos, as dificuldades, e ter a consciência de que a perfeição não acontece, mas almas gêmeas sim.

Before Sunset

Existem muitos filmes que falam desse sentimento universal, mas são poucos que contam uma história possível de se viver.  Eu confesso que até gosto do romantismo idealizado no cinema, aqueles melosos mesmo e aprecio quase todos os filmes de amor, mas na verdade são raros os filmes que me envolvem e ficam marcados pra sempre em minha memória. Aqueles que de alguma forma me fizeram pensar e acrescentaram algo em mim estão no topo da minha listinha de prediletos. Dois presentes nessa minha famigerada lista são: Antes do Amanhecer (Before Sunrise, 1995) e sua continuação: Antes do Pôr-do-Sol (Before Sunset, 2004). As duas narrativas mostram de uma forma tão simples, verdadeira, real e cativante o nascimento do amor, através de uma sintonia incomum e mágica. Diferente de muitos outros filmes de amor, esses retratam a realidade em todo o decorrer da trama, centrados nos diálogos pertinentes e envolventes do casal, a francesa Céline (Julie Delpy) e o americano Jesse (Ethan Hawke), nas belas paisagens européias. Dois filmes delicados e puros que merecem serem contemplados muitas e muitas vezes. Deixo uma cena que me marcou, onde as palavras não se fazem necessárias.


P.s: As trilhas sonoras são lindíssimas.

Raquel

Viver não dói

...

Por diversas vezes sonhamos alto e perdemos o controle dessas fantasias. Acabamos vivendo as incertas projeções e idealizações. Colocar os pés no chão é dolorido, porém essencial. Como aliviar a dor do que não foi vivido? Carlos Drummond de Andrade tem essa resposta.

“Viver não dói”

(Carlos Drummond de Andrade)

Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade. Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar. Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!!! A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

Raquel

Sequência de tirinhas Peanuts

Até mesmo como fantasma o pobre Charlie Brown é frustrado

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A cabeça rendendo muitas histórias

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Snoopy, sempre o amigo fiel

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Raquel

Caixinha de músicas – Cat Stevens/Yusuf Islam

“ Well, if you want to sing out, sing out and if you want to be free, be free . Cause there’s a million things to be. You know that there are…You can do what you want. The opportunity’s on and  you can find a new way. You can do it today. You can make it all true and you can make it undo. You see ah ah ah. Its easy ah ah ah. You only need to know “ (If You Want To Sing Out, Sing Out – Cat Stevens)

Cat Stevens e  Yusuf Islam

Cat Stevens na década de 60 e Yusuf Islam há alguns anos atrás

Cat Stevens foi o nome artístico de Stephen Demetre Georgiou durante as décadas de 60 e 70. O cantor e compositor britânico estourou em todo o mundo com suas belíssimas canções, vendendo milhões de álbuns. O conheci através da minha família, que é fã incondicional. Quando pequena, ia à escola ouvindo suas músicas no som do carro do meu tio Reinaldo… aliás, o tio Reinaldo foi grande influência de músicas boas pra mim. Cat Stevens se converteu ao Islamismo em 1977, deixando sua carreira artística, abandonando o posto de pop star, doando seu tempo às causas humanitárias, dedicando à família, pregando a paz e adotando o nome Yusuf Islam. Há algum tempo Yusuf voltou a cantar publicamente e lançou um último álbum, é o Roadsinger (2009), com músicas inéditas, recheadas de letras que remetem à espiritualidade, ao anseio pela paz no mundo, à harmonia interior e ao verdadeiro sentido da vida. Este é o recado que Yusuf passa com a categoria que só mestres, como ele, sabem fazer. Hoje com 60 anos, Yusuf Islam é imune à ação do tempo, sua antiga obra continua vivíssima, com um público fiel multiplicado em novas gerações, e a atual envolvendo todos seus fãs com aquele seu velho e bom som. Enfim, sendo Cat Stevens ou Yusuf Islam, Stephen foi e é boa parte da trilha sonora da minha vida… E só tenho a agradecer por ele ter me proporcionado tantos momentos intensos, eu amo suas músicas.

Deixo uma das minhas muitas músicas preferidas, Father and Son, tocada e cantada em duas épocas diferentes. A primeira na década de 70 e a segunda em 2007, a voz ficou mais suave com o passar do tempo, mas o jeitinho de cantar é o mesmo: olhos fechados,  balançando a cabeça e completamente envolvido com  o sentimento da música.



Raquel